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segunda-feira, 21 de maio de 2018

AGRICULTURA FAMILIAR NA BAHIA

Participação da agricultura familiar na Bahia e nos territórios de identidade
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) disponibiliza ao público em geral mais um trabalho analítico sobre a economia baiana. Este estudo focaliza a participação da agricultura familiar no valor adicionado da agropecuária baiana. Diante da relevância da agricultura familiar, tanto no aspecto econômico quanto no social, este trabalho pretende estimar a contribuição da atividade para a agropecuária do estado. O levantamento envolveu a coleta de informações de mais de 300 produtos e serviços produzidos e/ou consumidos dentro da atividade agropecuária, a partir dos dados do Censo Agropecuário 2006, tendo como ano de referência 2010. Os produtos e serviços foram analisados e classificados conforme os grandes segmentos da atividade agropecuária e, posteriormente, catalogados como agricultura familiar e agricultura não familiar . Em termos espaciais, o mesmo procedimento foi realizado tanto para o estado da Bahia quanto para os seus 27 territórios de identidade. Dessa forma, obteve-se um quadro preciso da importância e da representatividade da agricultura familiar para a Bahia e seus territórios de identidade. Agricultura familiar na Bahia Os resultados obtidos apontam que, em média, o valor adicionado da agricultura familiar da Bahia corresponde a 36,4% do valor adicionado da agropecuária. No entanto, essa participação é declinante ao longo do período analisado (2010-2015). A perda de peso da agricultura familiar no valor adicionado da agropecuária está relacionada a dois fatores. O primeiro é decorrente da forte expansão que a agricultura comercial baiana vem tendo nos últimos anos. Entre 2010 e 2015, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura do estado registrou crescimento de 68% em termos nominais. Essa evolução foi determinada pela ampliação de 9,8% no valor da produção – com destaque para a soja, com expansão de 45,0% – e, sobretudo, pela variação nos preços dos produtos agrícolas, que aumentaram 53,6%. Como os produtos que tiveram os maiores aumentos são cultivados pelos estabelecimentos não familiares, houve um crescimento da participação da agricultura comercial dentro do valor adicionado da agropecuária baiana. O segundo fator está associado aos impactos da seca que vem atingindo a Bahia, particularmente a partir de 2011. Considerando-se que os agricultores familiares são mais suscetíveis aos impactos negativos dos períodos de seca, o produto final de suas lavouras tende a ser mais afetado do que o da agricultura comercial, que dispõe de meios e recursos para contornar esses eventos adversos. Devido à conjunção desses dois fatores, a agricultura familiar vem perdendo espaço no valor adicionado da agropecuária baiana. As tabelas abaixo exibem a participação da agricultura familiar e não familiar no valor adicionado da agropecuária baiana em valores correntes e em termos percentuais.
Tabela 1 - Estimativa do VA da agricultura familiar e não-familiar na agropecuária Bahia, 2010 - 2015
ANO Não familiar Familiar
2010 6.087 4.623
2011 7.280 4.607
2012 8.229 4.550
2013 8.030 5.072
2014 10.337 5.147
2015 12.054 5.782

Tabela 2 - Estrutura do VA da agricultura familiar e não familiar na agropecuária Bahia, 2010-2015
ANO Não familiar Familiar
2010 56,8% 43,2%
2011 61,2% 38,8%
2012 64,4% 35,6%
2013 61,3% 38,7%
2014 66,8% 33,2%
2015 67,6% 32,4%
Fonte: Coref/SEI.
Agricultura familiar nos territórios de identidade
No que se refere à participação da agropecuária nos territórios de identidade, os dados municipais corroboram os do estado e destacam uma maior proporção de territórios com predominância da agricultura não familiar em comparação com aqueles onde a agricultura familiar prevalece . No último ano da pesquisa (2015) , dentre os 27 territórios de identidade, dez registraram predominância da agricultura familiar na composição do setor agropecuário.
Maiores participações
Tomando-se os territórios com predomínio da agricultura familiar, os cinco com maior participação do segmento são Itaparica, Chapada Diamantina, Metropolitano de Salvador, Bacia do Paramirim e Piemonte da Diamantina. Em 2015, a agricultura familiar representava entre 64% e 82% da agropecuária dessas regiões.
 ANO  TIPO Itaparica Chapada Diamantina Metropolitano de Salvador Bacia do Paramirim Piemonte da Diamantina
2010 Não Familiar 14% 30% 40% 34% 41%
Familiar 86% 70% 60% 66% 59%
2011 Não Familiar 15% 28% 39% 33% 45%
Familiar 85% 72% 61% 67% 55%
2012 Não Familiar 16% 27% 35% 31% 44%
Familiar  84% 73% 65% 69% 56%
2013 Não Familiar 19% 28% 31% 33% 44%
Familiar  81% 72% 69% 67% 56%
2014 Não Familiar 19% 27% 33% 30% 38%
Familiar  81% 73% 67% 70% 62%
2015 Não Familiar 18% 28% 29% 32% 36%
Familiar  82% 72% 71% 68% 64%
Fonte: Coref/SEI.
A criação de bovinos e outros animais, as lavouras temporárias e os serviços relacionados à agricultura (especialmente mandioca, cana-de-açúcar e feijão) foram identificados como as principais atividades desses territórios ao longo da série analisada. A pesca e a aquicultura apresentaram o maior peso no valor adicionado dos territórios de Itaparica e Metropolitano de Salvador. No caso específico da Chapada Diamantina, a cultura de café está entre os maiores valores do total da agropecuária nessa região.
Menores participações
A participação da agricultura familiar nos territórios com menor presença desse tipo de atividade variou entre 11% e 23% no ano de 2015. Conforme a tabela a seguir, os territórios onde a agricultura familiar teve menor peso no setor agropecuário foram Bacia do Rio Grande, Litoral Sul, Médio Rio de Contas, Costa do Descobrimento e Bacia do Rio Corrente. Nessas regiões predomina a grande agricultura voltada para a produção de grãos (como os cultivos de soja e algodão na Bacia do Rio Grande e Bacia do Rio Corrente), particularmente direcionados para a exportação. Também se encontram entre os maiores valores adicionados das áreas analisadas a criação de bovinos e outros animais e outros produtos da lavoura permanente (banana, coco-da-baía e cacau). Estão presentes nessas regiões com mais estabelecimentos da agricultura não familiar o cultivo de cereais na Bacia do Rio Grande e a produção florestal na Costa do Descobrimento.
Fonte: SEI