Participação da agricultura familiar na Bahia e nos territórios de identidade
Tabela 2 - Estrutura do VA da agricultura familiar e não familiar na agropecuária Bahia, 2010-2015
Fonte: Coref/SEI.
Agricultura familiar nos territórios de identidade
Fonte: Coref/SEI.
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) disponibiliza ao público em geral mais um trabalho analítico sobre a economia baiana. Este estudo focaliza a participação da agricultura familiar no valor adicionado da agropecuária baiana. Diante da relevância da agricultura familiar, tanto no aspecto econômico quanto no social, este trabalho pretende estimar a contribuição da atividade para a agropecuária do estado. O levantamento envolveu a coleta de informações de mais de 300 produtos e serviços produzidos e/ou consumidos dentro da atividade agropecuária, a partir dos dados do Censo Agropecuário 2006, tendo como ano de referência 2010. Os produtos e serviços foram analisados e classificados conforme os grandes segmentos da atividade agropecuária e, posteriormente, catalogados como agricultura familiar e agricultura não familiar .
Em termos espaciais, o mesmo procedimento foi realizado tanto para o estado da Bahia quanto para os seus 27 territórios de identidade. Dessa forma, obteve-se um quadro preciso da importância e da representatividade da agricultura familiar para a Bahia e seus territórios de identidade.
Agricultura familiar na Bahia
Os resultados obtidos apontam que, em média, o valor adicionado da agricultura familiar da Bahia corresponde a 36,4% do valor adicionado da agropecuária. No entanto, essa participação é declinante ao longo do período analisado (2010-2015). A perda de peso da agricultura familiar no valor adicionado da agropecuária está relacionada a dois fatores. O primeiro é decorrente da forte expansão que a agricultura comercial baiana vem tendo nos últimos anos. Entre 2010 e 2015, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura do estado registrou crescimento de 68% em termos nominais. Essa evolução foi determinada pela ampliação de 9,8% no valor da produção – com destaque para a soja, com expansão de 45,0% – e, sobretudo, pela variação nos preços dos produtos agrícolas, que aumentaram 53,6%. Como os produtos que tiveram os maiores aumentos são cultivados pelos estabelecimentos não familiares, houve um crescimento da participação da agricultura comercial dentro do valor adicionado da agropecuária baiana. O segundo fator está associado aos impactos da seca que vem atingindo a Bahia, particularmente a partir de 2011. Considerando-se que os agricultores familiares são mais suscetíveis aos impactos negativos dos períodos de seca, o produto final de suas lavouras tende a ser mais afetado do que o da agricultura comercial, que dispõe de meios e recursos para contornar esses eventos adversos. Devido à conjunção desses dois fatores, a agricultura familiar vem perdendo espaço no valor adicionado da agropecuária baiana.
As tabelas abaixo exibem a participação da agricultura familiar e não familiar no valor adicionado da agropecuária baiana em valores correntes e em termos percentuais.
Tabela 1 -
Estimativa do VA da agricultura familiar e não-familiar na agropecuária
Bahia, 2010 - 2015| ANO | Não familiar | Familiar |
| 2010 | 6.087 | 4.623 |
| 2011 | 7.280 | 4.607 |
| 2012 | 8.229 | 4.550 |
| 2013 | 8.030 | 5.072 |
| 2014 | 10.337 | 5.147 |
| 2015 | 12.054 | 5.782 |
Tabela 2 - Estrutura do VA da agricultura familiar e não familiar na agropecuária Bahia, 2010-2015
| ANO | Não familiar | Familiar |
| 2010 | 56,8% | 43,2% |
| 2011 | 61,2% | 38,8% |
| 2012 | 64,4% | 35,6% |
| 2013 | 61,3% | 38,7% |
| 2014 | 66,8% | 33,2% |
| 2015 | 67,6% | 32,4% |
Agricultura familiar nos territórios de identidade
No que se refere à participação da agropecuária nos territórios de identidade, os dados municipais corroboram os do estado e destacam uma maior proporção de territórios com predominância da agricultura não familiar em comparação com aqueles onde a agricultura familiar prevalece . No último ano da pesquisa (2015) , dentre os 27 territórios de identidade, dez registraram predominância da agricultura familiar na composição do setor agropecuário.
Maiores participações
Tomando-se os territórios com predomínio da agricultura familiar, os cinco com maior participação do segmento são Itaparica, Chapada Diamantina, Metropolitano de Salvador, Bacia do Paramirim e Piemonte da Diamantina. Em 2015, a agricultura familiar representava entre 64% e 82% da agropecuária dessas regiões.
| ANO | TIPO | Itaparica | Chapada Diamantina | Metropolitano de Salvador | Bacia do Paramirim | Piemonte da Diamantina |
| 2010 | Não Familiar | 14% | 30% | 40% | 34% | 41% |
| Familiar | 86% | 70% | 60% | 66% | 59% | |
| 2011 | Não Familiar | 15% | 28% | 39% | 33% | 45% |
| Familiar | 85% | 72% | 61% | 67% | 55% | |
| 2012 | Não Familiar | 16% | 27% | 35% | 31% | 44% |
| Familiar | 84% | 73% | 65% | 69% | 56% | |
| 2013 | Não Familiar | 19% | 28% | 31% | 33% | 44% |
| Familiar | 81% | 72% | 69% | 67% | 56% | |
| 2014 | Não Familiar | 19% | 27% | 33% | 30% | 38% |
| Familiar | 81% | 73% | 67% | 70% | 62% | |
| 2015 | Não Familiar | 18% | 28% | 29% | 32% | 36% |
| Familiar | 82% | 72% | 71% | 68% | 64% |
A criação de bovinos e outros animais, as lavouras temporárias e os serviços relacionados à agricultura (especialmente mandioca, cana-de-açúcar e feijão) foram identificados como as principais atividades desses territórios ao longo da série analisada. A pesca e a aquicultura apresentaram o maior peso no valor adicionado dos territórios de Itaparica e Metropolitano de Salvador. No caso específico da Chapada Diamantina, a cultura de café está entre os maiores valores do total da agropecuária nessa região.
Menores participações
A participação da agricultura familiar nos territórios com menor presença desse tipo de atividade variou entre 11% e 23% no ano de 2015. Conforme a tabela a seguir, os territórios onde a agricultura familiar teve menor peso no setor agropecuário foram Bacia do Rio Grande, Litoral Sul, Médio Rio de Contas, Costa do Descobrimento e Bacia do Rio Corrente. Nessas regiões predomina a grande agricultura voltada para a produção de grãos (como os cultivos de soja e algodão na Bacia do Rio Grande e Bacia do Rio Corrente), particularmente direcionados para a exportação. Também se encontram entre os maiores valores adicionados das áreas analisadas a criação de bovinos e outros animais e outros produtos da lavoura permanente (banana, coco-da-baía e cacau). Estão presentes nessas regiões com mais estabelecimentos da agricultura não familiar o cultivo de cereais na Bacia do Rio Grande e a produção florestal na Costa do Descobrimento.
Fonte: SEI